Ken: o par da Barbie
O Ken foi lançado em 1961, dois anos depois da boneca, e nasceu de uma demanda direta das crianças que brincavam com a Barbie: elas queriam saber com quem ela saía. O nome veio de Kenneth, filho de Ruth e Elliot Handler — o mesmo critério familiar que batizou a Barbie em homenagem à filha Barbara. A primeira versão media pouco mais de 30 cm, vestia sunga vermelha com sandálias e tinha cabelo flocado: fibras curtas coladas no crânio, sem implante fio a fio.
Do cabelo flocado ao cabelo moldado
O cabelo flocado foi o primeiro problema industrial do boneco. A cola envelhece, o atrito com roupas e mãos arranca as fibras, e uma parcela enorme dos Kens de 1961 e 1962 chegou aos dias de hoje com falhas ou totalmente careca. A Mattel corrigiu logo, passando a moldar o cabelo diretamente no vinil da cabeça e pintá-lo — solução que resolveu a durabilidade e definiu o visual do boneco por décadas.
Para quem avalia peças antigas, essa é a primeira coisa a checar. Um Ken de flocado íntegro é bem mais raro que a Barbie do mesmo ano, porque bonecos masculinos eram menos guardados e mais usados. Passe o dedo de leve pelo topo da cabeça: se houver casquinha de cola exposta ou brilho irregular no vinil, o floco já se foi em parte. O restante do método de avaliação está em Barbie antiga: quanto vale?.
Sessenta anos de mudança de visual
O Ken sempre funcionou como termômetro da moda masculina, e por isso data com precisão razoável:
- Anos 1960 — cabelo curto e penteado de lado, roupas de escoteiro, esmoquim e traje de tênis. Em 1964 chegou Allan, boneco amigo que usava as mesmas roupas do Ken, hoje uma peça procurada por ser bem menos produzida.
- Anos 1970 — costeletas, camisa aberta, tecidos estampados e as primeiras versões com cabelo implantado, mais volumoso.
- Anos 1980 — o Ken atleta e o Ken de smoking convivendo, muito jeans, e o primeiro grande esforço de dar a ele uma vida própria fora do papel de acompanhante.
- Anos 1990 — cabelos com gel, roupas de neon e alguns lançamentos que geraram polêmica pública e viraram objeto de colecionador justamente por isso.
- Anos 2000 — a Mattel chegou a anunciar publicamente, em 2004, o fim do namoro entre os dois, como estratégia de comunicação, e a reconciliação foi igualmente divulgada anos depois.
- 2017 — a reformulação mais importante: o boneco ganhou tipos de corpo diferentes, com torsos mais largos e mais esbeltos, além de vários tons de pele e cortes de cabelo, incluindo cabelo cacheado e coque.
- 2023 — o filme deu ao personagem um protagonismo inédito e produziu uma onda de procura por Kens antigos no mercado de segunda mão.
Detalhe prático de colecionador: o Ken de 2017 em diante não é intercambiável em roupas com os modelos anteriores nem entre si. Um boneco de torso largo não veste a camisa de um esbelto, e o formato do pé mudou o suficiente para inviabilizar a troca de calçados entre gerações.
O que procurar em um Ken de coleção
O mercado de Ken segue as mesmas regras da Barbie, com três particularidades:
- Sobrevivência menor. Foram produzidos em quantidade bem inferior à das bonecas femininas e, sobretudo, foram menos preservados. Isso significa que a oferta de exemplares em bom estado é escassa mesmo para modelos que não eram raros à época.
- Cabeça é o ponto crítico. Além do flocado, o vinil da cabeça do Ken tende a escurecer ou amarelar de forma diferente do corpo, criando o efeito de cabeça de cor diferente, comum em peças guardadas em armário quente. Não tem correção confiável.
- Roupa completa é rara. Terno com gravata, sapatos e meias na mesma peça é uma combinação que quase nunca sobrevive junta. Vale mais um conjunto completo de um modelo comum do que um modelo raro só de sunga.
Kens de linha de colecionador — os que vêm em caixa com janela, roupa forrada e selo impresso — seguem a lógica de selos e conservação descrita em Barbie de coleção. Já os Kens vendidos como par de bonecas de personagens de filmes costumam se valorizar em ondas, acompanhando o retorno do tema à conversa pública.
Ken no Brasil: o que muda por aqui
Assim como a boneca, o Ken foi produzido e distribuído no Brasil sob licença durante os anos 1980, e os exemplares nacionais têm marcações e embalagens próprias. O critério de identificação é o mesmo aplicado às bonecas: leitura da marcação nas costas e na nuca, análise das etiquetas de roupa e comparação com o catálogo do fabricante nacional — o método está detalhado em Barbie nacional da Estrela.
No mercado interno, o Ken tem uma característica curiosa: aparece com frequência em lotes de brechó, sem roupa e sem procedência, a preços baixos, porque muitos vendedores não sabem identificá-lo. Para quem estuda marcações, é um dos poucos nichos do colecionismo de bonecas em que ainda se encontra peça boa barata. Os canais de garimpo estão em onde comprar bonecas de coleção.
Ken para brincar: o que considerar
Fora do colecionismo, o Ken cumpre um papel específico na brincadeira: amplia o elenco. Cenas com mais de um personagem sustentam narrativas mais longas, e é por isso que cenários habitados por um personagem só costumam ser abandonados mais rápido.
Na hora de comprar, três pontos práticos: prefira modelos com roupa costurada e removível, e não impressa no corpo; confira se as pernas dobram no joelho, porque bonecos de articulação simples não sentam em móveis nem em carros; e lembre que o guarda-roupa masculino avulso é bem menor que o feminino, o que faz de costurar em casa uma solução real, a partir das medidas de referência da escala 1:6 reunidas em roupas da Barbie.
Perguntas frequentes
Em que ano o Ken foi lançado?
Em 1961, dois anos depois da Barbie. O nome veio de Kenneth, filho de Ruth e Elliot Handler, os fundadores da Mattel — assim como Barbie veio de Barbara, a filha do casal. A primeira versão usava sunga vermelha, sandálias e trazia cabelo flocado, uma camada de fibra curta colada no crânio.
Por que o cabelo do Ken antigo descola?
Porque os primeiros Kens tinham cabelo flocado: fibras curtas coladas diretamente no vinil, sem implante. A cola envelhece, e o atrito com roupas e mãos vai levando o floco embora, deixando falhas ou a cabeça careca. É um defeito comum e irreversível, e derruba bastante o valor da peça.
A roupa do Ken serve em outros bonecos?
Nem sempre. Desde 2017 existem tipos de corpo diferentes para os bonecos masculinos, com torsos mais largos ou mais esbeltos, e a peça de um não fecha no outro. Entre modelos antigos a compatibilidade é maior, mas calçados quase nunca são intercambiáveis por causa da mudança no formato do pé.
Ken antigo vale mais que Barbie antiga?
Em média, não: a produção de Barbies sempre foi muito maior, mas a procura por elas também. O Ken tem um comportamento próprio no mercado — sobreviveram menos exemplares em bom estado, porque eram menos guardados, e um Ken de época completo, com cabelo flocado íntegro, é mais difícil de achar do que a Barbie correspondente.